20 de Fevereiro de 2010


À esquerda a capela de 1687 (a prometida pelo Conde) e à direita a igreja de 1950.

 

Pombal, 13H30. Hoje, tirei-me dos meus cuidados, meti-me no carro, saí da cidade de Pombal, rumei a Albergaria dos Doze, subi pelo Vale das Éguas, entre a linha do caminho de ferro e o campo de futebol do Arcuda, passei ao lado do túnel, deixei o concelho de Pombal e desci, ladeando o Vale das Antas, já no concelho de Ourém, para a Pederneira. Transpus o viaduto sobre o caminho de ferro outra vez, deixei o Valongo e entrei no Estreito. Ao cimo da ladeira encontrei duas igrejas. Uma pequena ao lado direito e outra maior do lado esquerdo da estrada, no cume da povoação.

Parei próximo da mais pequena, do lado direito da estrada e entrei na venda-taberna quase defronte do templo. Estavam vários homens sentados a uma mesa grande rectangular, conversando diante de pratos já vazios e de copos meio cheios. Cumprimentei-os e disse-lhes ao que ia: visitar a santa que tinha protegido o Conde de Castelo Melhor quando ele por ali tinha passado a caminho de Pombal, perseguido pelos esbirros de D. Pedro II e da adúltera e incestuosa D. Maria Francisca Isabel de Saboia.

Aqueles homens do povo mostraram-se dignos herdeiros do sangue do lavrador, um tal «Botinhas», que acolheu o conde naquele triste Outono de 1667. Que simpatia, que solicitude!

O dono da casa levantou-se, enquanto, quase em coro, todos me disseram que sim senhor, que a capela era aquela ali em frente, dirigiu-se a uma prateleira da loja, tirou de lá um pequeno livrinho que me deu. Foi-me informando que a capela estava certamente fechada mas que tinha muito gosto em me emprestar uma chave para eu visitar a imagem. Quis pagar o livrito mas ele disse-me que, se quisesse pagar alguma coisa, deixasse uma pequena esmola no mealheiro da capela.

Quando fui devolver a chave disse-lhes que a capela era muito asadinha e que a imagem era muito bonita e acrescentei que era de Pombal, onde tinha nascido e sido Senhor dela o Conde de Castelo Melhor. Disse-me que eu tinha ar de padre, se não teria andado no seminário. Disse-lhe que não, mas que na minha infância e juventude tinha lidado com muitos e até ajudado à missa. Que era professor reformado e que tinha dado aulas durante 20 anos na Escola Primária de Pombal, que toda a família da minha mãe era do concelho de Ourém, da freguesia de Espite mas que eu tinha optado definitivamente por Pombal. Falámos de mais umas bagatelas e eu quis fazer despesa. Pedi uma água para mim e um sumo para a minha mulher. Mandou que a sua esposa nos atendesse e quando perguntei quanto devia disse-me, a senhora, que não era nada. Protestei, que não podia ser, que aquela era a vida deles e fui-lhe dizendo que nos tempos que vão correndo ter uma porta aberta é muito dispendioso e como não me dizia quanto era deixava-lhe dois euros para a despeja que, graciosamente, só aceitava a atenção e o carinho com que nos tinham recebido e facultado o acesso à capela.

No meu outro blogue contarei a história da Santa e o que se conta da passagem do Castelo Melhor, pelo Estreito, disfarçado de pedinte ou de trabalhador rural. Farei também o paralelo com a promessa que originou o Convento de Santo António no Cardal.

 

publicado por MaiaCarvalho às 21:42

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