25 de Julho de 2006
Setúbal, Praça do Bocage. À minha frente, para além da bica já bebida, a estátua do Bocage, do alto do seu pedestal, espreita os pombos e o cão vadio da praça, ignora os ociosos sentados sob os toldos da esplanada, olha de esguelha a Igreja de S. Julião. Por detrás dele o palácio cor-de-rosa que alberga a Câmara Municipal...
Um casal levantou-se, recolheu de cima da mesa o que sobrou do seu pequeno-almoço e foi oferecer esses restos ao cão vadio, coxo da pata esquerda da frente. Um belo cão vadio, grande, com semelhanças ao Serra da Estrela, lobeiro, pelo espesso.

Pombal, cidade sem civilidade? Porquê? Será falta de um Fórum?

Pombal chama-se a si próprio cidade mas nunca se fez cidade.
Nasceu rural, campesino, sem espaço público ou com um único espaço público – a feira ou a Igreja – que só frequenta por obrigação ou pela festa mas que não fixa, não apoia as relações interpessoais.
O campesino tem dificuldade em partilhar o seu espaço e não assume, como também seu, o espaço público. Aí, só pode assumir a bravata, o desfrute, o mostrar-se para mercar ou acasalar, nunca para conviver. O citadino convive, tem de conviver, o campesino não sabe ou não pode. O seu espaço pessoal ou familiar torna-o incomunicável.
publicado por MaiaCarvalho às 19:00

<img alt="An English Bodo.jpg" src="http://maiacarvalho.blogs.sapo.pt/arquivo/An English Bodo.jpg" width="214" height="360" border="0" / Para as vitimas do Choque Tecnológico de Sócrates Ou para aferir do Sucesso do Ensino de Inglês no 1º Ciclo, mesmo que os alunos saiam da Escola sem saberem Língua Portuguesa ou Matemática.
publicado por MaiaCarvalho às 00:10

21 de Julho de 2006
De "O Público" de hoje

Touro01.jpg


Então "Sr. Eu", como descreve esta cena?
publicado por MaiaCarvalho às 19:27

Conta-se (e já é uma velha história) que um jornalista de Nova York foi mandado a Bóston fazer a cobertura da chegada de um enviado especial do Papa à diocese. Aquele, munido do seu gravador, trava o seguinte diálogo, ainda no aeroporto:

- Eminência, por favor, qual a sua opinião sobre a prostituição em Bóston?
- O quê? Ainda há prostituição em Bóston? – Respondeu o cardeal.

No outro dia, o prestigiado matutino nova-iorquino chamava à primeira página, em caracteres garrafais:

Primeira preocupação do Legado do Papa ao chegar a Bóston: - Onde ficam aqui as casas de prostitutas?
publicado por MaiaCarvalho às 10:45

20 de Julho de 2006
Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.

E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.
(Mas eu mal o estava ouvindo.
Que me importam a mim os homens
E o que sofrem ou supõem que sofrem?
Sejam como eu – não sofrerão.
Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros,
Quer para fazer bem, quer para fazer mal.
A nossa alma e o céu e a terra bastam-nos.
Querer mais é perder isto, e ser infeliz.)

Eu no que estava pensando
Quando o amigo de gente falava
(E isso me comoveu até às lágrimas),
Era em como o murmúrio longínquo dos chocalhos
A esse entardecer
Não parecia os sinos de uma capela pequenina
A que fossem à missa as flores e os regatos
E as almas simples como a minha.

Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa – existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso.

E o homem calara-se, olhando o poente.
Mas que tem com o poente quem odeia e ama?


«Alberto Caeiro
in “O Guardador de Rebanhos”»
publicado por MaiaCarvalho às 07:25

19 de Julho de 2006
No "Público" de hoje:
Libano_0.jpg

É vítima dos judeus sessenta e tal anos depois.....
Ainda havemos de lamentar Hitler pelo seu fracasso!

Isto é um desabafo, não um desejo.
publicado por MaiaCarvalho às 10:58

18 de Julho de 2006
Graças a Deus!

Desde muito novo que me senti bem não alinhando no certinho, no politicamente correcto ou aceitável! Custa-me muito ir no rebanho!

Li muito. Umas coisas importantes outras sofríveis ou mesmo medíocres ou más. Mas tem de ser quem é viciado em leitura lê de tudo.

Quando os ingleses venderam ao mundo a ideia de que os judeus ficavam bem no seu protectorado da Palestina, estavam na moda os Exodos, os O Último Justo, os Oh Jerusalém, Jerusalém e o best dos contos da carochinha lamecha - O Diário de Ann Frank. Comovi-me imenso com todos... Mas desde garoto que não me saía da cabeça aquela coisa do "Povo Escolhido" que nos ensinavam na catequese e me fazia quase trepar pelas paredes... Que topete!

Durante muito tempo foi-me vedado o acesso à leitura do Antigo Testamento. Só alguns textos crieriosamente escolhidos e permitidos pela Igreja. Mas depois Li-o e todo o meu pieguismo sobre os Judeus se esbateu. Só um povo mesmo filho da mãe (ou herdeiro da crueldade Assiria) podia conceber um Deus tão terrível. Só um Judeu renegado - Jesus - podia realmente apresentar um Deus amável e amoroso. Deus caritas est!

Por isso posso, como o meu Deus ordena, amar cada ser humano judeu mas não posso concordar com as suas ideias de conjunto, como grupo de pessoas.
Depois, não vejo ninguém questionar onde estão os aviões dos palestinos, os seus tanques e mísseis.

Antigamente havia um anúncio em que se afirmava mais ou menos (já não consigo recordar-me do spot completo) em que se dizia qualquer coisa como não se matam elefantes com fisgas nem se caçam moscas com carabinas. Caramba parece que destruir um país soberano com avões e misseis não é castigo proporcional ao rapto de dois ou três soldados.

Terão os israelitas aprendido com os nazis? Por cada soldado morto dizima-se toda uma cidade ou aldeia!
publicado por MaiaCarvalho às 22:14

17 de Julho de 2006
A política internacional está muito gira!

Se uns civis, com bombas artesanais, limpam o sebo a uns quantos passantes que não têm nada a ver com o assunto - são terroristas.
Se uns militares usarem misseis e outro material de querra para bombardear as casas dos civis - é contra-terrorismo!

Isto percebe-se?
publicado por MaiaCarvalho às 19:59

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