19 de Janeiro de 2006
Esplanada do Continente. Leiria. 11H30. Fiz uma pausa na leitura do “Equador” que iniciei ontem à noite.
Não sei se o Manuel Sousa Tavares é monárquico ou republicano, se concorda ou não com a entrega gratuita do ultramar feita após 1974. Mas a minha convicção de que a república é filha de um crime mantém-se. Desde a minha infância, quando na 4.ª classe do então Ensino Primário comecei a estudar a História de Portugal, me convenci e continuo convencido, da ilegitimidade da república.
A crueza do duplo homicídio, que dois anos depois descambou na burla da insurreição republicana, deu origem ao regime em que ainda vivemos.
A natureza do crime indicia o nível mental e humano dos beneficiários da república, uma casta de bonzos burgueses, pretensamente letrados, famintos de poder e riqueza eis a cáfila que ainda hoje nos oprime vangloriando-se de nos ter libertado. Mas libertado do quê?
publicado por MaiaCarvalho às 21:04

18 de Janeiro de 2006
Se Cavaco Silva ganhar, e tudo indica que ganhará já na primeira volta, o que é que isso quer dizer?

Significa:
Que a democracia em Portugal foi um fracasso, os portugueses realmente não estavam preparados para ela e embarcaram no salve-se quem puder de um país sem rei nem roque. Num país em que alguns chicos espertos conseguem êxitos, muitos até enriquecem, generaliza-se a esperança, a essência do neo-liberalismo: se for suficientemente desonesto, se for esperto, também eu consigo virar patrão, serei rico. A inteligência, o estudo, o trabalho, a honestidade e a cooperação afirmada na labuta diária não valem nada.
A democracia para uma maioria considerável de portugueses é esta liberdade das negociatas seguras, dos expedientes frutuosos.
E o 25 de Abril?
Bem, com a vitória de Cavaco Silva, o nosso bravo povo quer dizer-nos:
- Já deitamos o 25 de Abril pelos olhos, acabem com essa e outras pepineiras!

Eu, ou não voto ou, se o fizer, votarei Manuel Alegre!

Como vêm continuo igual a mim próprio: - cheio de dúvidas… Mas espero desta vez não me enganar!
publicado por MaiaCarvalho às 20:45

09 de Janeiro de 2006
Será esta a essência da ciência política e da actividade capitalista?

«As grandes batalhas da democracia impuseram um pesado fardo ao Estado e esgotaram tanto os recursos do Tesouro quanto do Povo. Mas mostraram também a um bando de parasitas o caminho da prosperidade. Tais homens estão sempre à espreita de calamidades públicas, que não se preocupam em aliviar, antes procurando criá-las e alimentá-las a fim de que possam tirar proveitos dos infortúnios alheios.»

Marquês de Sade
In. «Os 120 dias de Sodoma».

Sade referia-se às guerras de Luis XIV mas o principio é o mesmo para quem vive sob a República!
publicado por MaiaCarvalho às 19:28

04 de Janeiro de 2006
Uma das primeiras perguntas que fiz a mim próprio quando vi a lápide que assinala a construção da ponte sobre o Arunca foi: quem era esta D. Maria Teresa?

Era filha do então Príncipe D. João, filho da Rainha D. Maria I, e de D. Carlota Joaquina, (que desde a minha adolescência muito prezo), mais tarde Rei como D. João VI.

Chamava-se, Sua Alteza, a sereníssima Princesa Senhora Infanta Dona Maria Thereza Francisca d'Assis Antónia Carlota Joanna Josefa Xavier de Paula Michaela Raphaela Izabel Gonzaga de Bragança e Bourbon [Mais tarde: Sua Alteza Real, a sereníssima Princesa Señora Doña María Teresa de Braganza y Borbón, Condessa de Molina].

Nascida no Palácio de Queluz, Sintra, a 29 de Abril de 1793, (Intitulada Princesa da Beira de 29 de Abril de 1793 até 21 de Março de 1795). Casou em primeiras núpcias, no Rio de Janeiro, a 13 de Maio de 1810, com o seu primo materno, Almirante – General, Sua Alteza Real o Sereníssimo Príncipe Señor Don Pedro Carlos Antonio Rafael José Javier Francisco Juan Nepomuceno Tomas de Villanueva Marcos Marcelino Vicente Ferrer Raymundo Nonato Pedro de Alcántara Fernando de Borbón y Braganza, Infante de Espanha (nascido em Aranjuez, a 25 de Abril 1775; morto no Rio de Janeiro, a 4 de Julho de 1812); casou em segundas núpcias, em Salzburg, Austria, a 2 de Fevereiro, por procuração e em Azcoitia a 20 de Outubro de 1838, em pessoa, como segunda mulher do seu tio materno, Sua Alteza Real, o sereníssimo Principe Señor Don Carlos Maria Isidro Benito de Borbón y Borbón, Conde de Molina (nascido em Aranjuez, a 29 de Março de 1788; falecido em Trieste, Trieste, a 10 de Março de 1855), A Princesa morreu em Trieste, a 17 de Janeiro de 1874 (Está sepultada na Catedral de San Giusto, em Trieste). Deixou descendência: um único filho do seu primeiro marido.

Repare-se como o seu principado da Beira durou o tempo da construção da ponte. (1793/1795) Quando D. Carlota pariu um filho macho, logo, pela Lei Sálica então em vigor, ela passou a simples infanta.
publicado por MaiaCarvalho às 23:09

03 de Janeiro de 2006
Ponte00.JPG


Tinha-me proposto na feitura deste trabalho de “Enquanto a Ponte se constrói” começar pela descrição da ponte, falar tanto quanto possível da vida quotidiana dos pombalenses de então, alargar a factos contemporâneos do resto do país, estender-me depois ao que se passava no mundo e nas nossas possessões ultramarinas.
Inicio a descrição seguindo literalmente a obra de Joaquim Eusébio, “Pombal, 8 séculos de História”:

«A Ponte destinada a servir a Estrada Real, teve início em 1793, conforme se indica na lápide comemorativa que aqui se transcreve: «Esta ponte foi principiada no ano de 1793, em que nasceu a Sereníssima Princesa D. Maria Teresa e acabou-se no ano de 1795, em que nasceu o sereníssimo Príncipe da Beira D. António». Tem 3 arcos abatidos com um vão de 120 metros e a sua edificação foi dirigida pelo coronel Joaquim de Oliveira. »

«Aos sete dias do mes de Novembro de mil sete centos e noventa e quatro faleceu da vida prezente com todos os sacramentos Jose Guilherme, solteiro, oficial de canteiro, que trabalhava nas obras reais da Ponte desta villa de Pombal, o qual era natural da Freguezia de Santa Izabel da Cidade de Lisboa (…)»


In. Arquivo Distrital de Leiria, Livro de Óbitos de Pombal, 1772/1797, fls. 271

(Fim de citação)

Sobre este livro do professor Joaquim Eusébio queria acrescentar mais umas breves palavras. É certamente uma obra notável, a mais completa tentativa que alguma vez se tentou fazer do estudo da História da Nossa Terra. Parece estar esgotada…
Há cerca de um mês fiz por e-mail, no site da Câmara, uma pergunta directa ao Sr. Presidente sobre este assunto, mas até hoje ainda não obtive resposta.
A resposta não é importante! Mais importante era a nossa querida autarquia preocupar-se em promover estudos sérios sobre a História e a Geografia do concelho.
É provável que esses estudos saíssem mais caros que subsidiar livros de versos de pés mais ou menos quebrados… Mas era com certeza mais barato que umas rotundazitas… E muito mais útil!!!
publicado por MaiaCarvalho às 20:06

02 de Janeiro de 2006
Ponte.jpg


Aqui está a lápide. Como podem não conseguir ler, devido às dimensões da foto, eu transcrevo:

"ESTA PONTE FOY PRINCIPIADA NO ANNO DE 1793 EM QUE NASCEO A SERENISSIMA SENHORA PRINCEZA D. MARIA THEREZA, E ACABOU-SE NESTE ANNO DE 1795, EM QUE NASCEO O SERENISSIMO SENHOR PRINCEPE DA BEIRA D. ANTÓNIO."

O primeiro pensamento face a esta inscrição foi: O Marquês já tinha morrido há onze anos, não teria ele sentido a necessidade de tal obra? Porque não a fez?

Ninguém vai responder a esta pergunta!

O segundo pensamento foi: 1793, Revolução Francesa, Terror, Robespierre...

Maria Antonieta guilhotinada...

Se vocês conseguissem imaginar o que se pode passar no mundo enquanto uma ponte numa remota vila de Portugal - Pombal - é constuída?
É sobre coisas como essas que vos vou falar nas próximas postagens.
publicado por MaiaCarvalho às 21:58

É costume por esta altura desejar Boas Festas e afirmar mais ou menos perentoriamente: "Ano Novo Vida Nova"

Também eu estou decidido a encetar uma vida bloguista nova!

Talvez venha a merecer a pena criar um blogue de artigos sobre a História de Pombal, mas por enquanto vai ser aqui no Tombuctu que faço as primeiras experiências.

As referências à História de Pombal ainda existem em alguns arquivos e em uma ou outra publicação mais ou menos especializada mas, marcas históricas no terreno, isto é, no tecido urbano ou pelos campos deste concelho que já foram quatro, os pombalenses, e com eles os seus autarcas, têm apagado quase todos os vestigios do passado.

Parece que têm vergonha! Confundem velho com antigo e, ciosos de uma modernice pífia e de um parôlo falso culto pelo progresso, vai de deitar a baixo a torto e a direito, que os prédios novos é que são bonitos e quanto mais andares se puderem construir maior é o lucro... E o progresso!!!

Até já temos duas Torres de oito andares, salvo erro. Mas muitas mais deviam estar construídas para gozo dos nossos "patos bravos" e enchimento dos respectivos bolsos.

Não importa que as escadas dos carros dos bombeiros só cheguem aos terceiros andares, o que é preciso é uma imagem progressista!!!

Ainda se parava na Estrada de Leiria, na passagem de nível, para deixar passar os comboios. A fila dos carros às vezes era longa e muitas vezes fiquei bastante tempo parado sobre a Ponte do Rio Arunca quandfo pretendia entrar na Vila.

Olhava para aquela lápide bi-centenária e muitas vezes me perguntei: quem era aquela D. Maria Tereza?
publicado por MaiaCarvalho às 19:26

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